Introdução para pais e responsáveis
Em 1 Reis para crianças, chegamos à última parte deste livro. A história volta a mostrar o rei Acabe, um homem que recebeu advertências, viu Deus agir e ainda assim continuou resistindo à palavra do Senhor.
Nesta parte, veremos guerras, escolhas erradas, injustiça e a coragem de profetas que falaram a verdade. Deus livrou Israel, enviou mensagens claras e mostrou que via tudo o que acontecia no reino.
Também veremos a triste história de Nabote, um homem que foi tratado com injustiça porque Acabe desejou aquilo que não lhe pertencia. Essa parte precisa ser lida com cuidado, mostrando às crianças que Deus vê a maldade, ouve a verdade e não ignora a injustiça.
O encerramento de 1 Reis nos ensina que o Senhor é paciente, mas sua Palavra não deve ser desprezada. Acabe teve muitas oportunidades, mas escolheu seguir um caminho de desobediência. E suas escolhas trouxeram consequências.

Deus livra Israel das mãos da Síria
Ben-Hadade, rei da Síria, reuniu seu exército e subiu contra Samaria.
Ele veio acompanhado de muitos reis aliados, com cavalos e carros de guerra. A cidade foi cercada, e Acabe recebeu uma mensagem cheia de ameaça. Ben-Hadade queria tomar prata, ouro, mulheres e filhos da casa do rei.
Acabe, com medo da força daquele exército, respondeu que aceitaria a exigência.
Mas Ben-Hadade não parou ali. Ele enviou outra mensagem, dizendo que seus servos entrariam nas casas de Acabe e dos seus oficiais para levar tudo o que desejassem.
Então Acabe reuniu os anciãos da terra e contou o que estava acontecendo. Eles disseram que ele não deveria aceitar aquela segunda exigência.
Ben-Hadade ficou furioso e ameaçou destruir Samaria.
Naquele momento, parecia que Israel estava em grande perigo. O exército inimigo era forte, e Acabe não era um rei fiel ao Senhor. Mesmo assim, Deus enviou um profeta com uma mensagem.
O profeta disse que o Senhor entregaria aquela grande multidão nas mãos de Acabe naquele dia.
E Deus explicou o motivo.
Israel saberia que Ele é o Senhor.
A vitória não viria porque Acabe era bom, nem porque Israel merecia. Viria porque Deus estava mostrando, mais uma vez, que somente Ele governa sobre os reis, os exércitos e as nações.
Acabe obedeceu à direção recebida e saiu à batalha. Os jovens dos príncipes das províncias foram à frente, e o Senhor deu vitória a Israel.
O exército da Síria fugiu, e Israel foi livre naquele dia.
Depois disso, o profeta avisou Acabe que o rei da Síria voltaria no ano seguinte. Acabe precisava se preparar, porque a luta ainda não havia terminado.
Mesmo em um reino marcado por tanta desobediência, Deus ainda falava.
E sua palavra continuava mostrando quem era o verdadeiro Senhor.
Acabe poupa Ben-Hadade contra a direção de Deus
No ano seguinte, o exército da Síria voltou contra Israel.
Os servos de Ben-Hadade diziam que o Deus de Israel era Deus dos montes, mas não dos vales. Eles pensavam que, se lutassem em outro lugar, poderiam vencer. Não conheciam o Senhor e não entendiam que Deus governa sobre toda a terra.
Então os sírios se prepararam para lutar novamente.
Israel também saiu para a batalha, mas parecia pequeno diante do exército inimigo. A Bíblia mostra que os filhos de Israel pareciam dois pequenos rebanhos de cabras, enquanto os sírios enchiam a terra.
Mais uma vez, Deus enviou sua palavra.
Um homem de Deus disse a Acabe que, porque os sírios haviam falado contra o Senhor, Deus entregaria aquela grande multidão nas mãos de Israel. Assim, todos saberiam que Ele é o Senhor.
A batalha aconteceu, e Deus deu vitória a Israel.
Ben-Hadade fugiu e se escondeu. Seus servos então foram até Acabe, vestidos de maneira humilde, pedindo que o rei poupasse sua vida.
Acabe ouviu o pedido e fez um acordo com Ben-Hadade.
O rei da Síria prometeu devolver cidades e permitir que Acabe tivesse lugares de comércio em Damasco. Então Acabe o deixou ir.
Mas aquela decisão desagradou ao Senhor.
Acabe havia recebido vitória de Deus, mas tratou a situação do seu próprio jeito. Ele fez aliança com um rei inimigo sem obedecer à direção do Senhor.
Depois disso, um profeta anunciou que Acabe sofreria consequências por ter deixado escapar aquele homem que Deus havia entregue em suas mãos.
Acabe voltou para Samaria triste e indignado.
Ele havia visto o livramento do Senhor, mas ainda assim não aprendeu a obedecer com humildade.
Nabote se recusa a vender sua vinha
Depois dessas coisas, aconteceu uma situação em Jezreel.
Perto do palácio de Acabe havia uma vinha que pertencia a um homem chamado Nabote. Aquela vinha ficava em um lugar que agradava muito ao rei.
Acabe desejou aquela terra.
Ele foi falar com Nabote e pediu que lhe desse a vinha para fazer ali uma horta. Em troca, ofereceu outra vinha melhor ou dinheiro, se Nabote preferisse vender.
Aos olhos de Acabe, parecia apenas uma compra.
Mas, para Nabote, aquela vinha não era uma terra qualquer. Era a herança de sua família. Em Israel, a terra recebida como herança tinha grande importância, porque lembrava a fidelidade de Deus ao dar a terra ao seu povo.
Por isso, Nabote respondeu que não poderia entregar a herança de seus pais.
Ele não falou com desrespeito ao rei. Apenas se manteve fiel ao que entendia ser correto diante do Senhor.
Acabe não gostou da resposta.
Voltou para casa aborrecido e irritado. Deitou-se em sua cama, virou o rosto e não quis comer.
O rei de Israel tinha palácio, riqueza, poder e autoridade.
Mas ficou triste porque não conseguiu tomar a vinha de Nabote.
Seu coração desejava aquilo que não lhe pertencia.
Jezabel arma uma injustiça contra Nabote
Jezabel, esposa de Acabe, percebeu que o rei estava abatido.
Ela perguntou por que ele estava tão triste e por que não queria comer. Acabe contou que havia pedido a vinha de Nabote, oferecendo dinheiro ou outra vinha em troca, mas Nabote não quis entregar a herança de seus pais.
Jezabel não respeitou a decisão de Nabote.
Também não se importou com a justiça diante de Deus. Para ela, se Acabe era rei, deveria conseguir o que desejasse.
Então Jezabel preparou um plano mau.
Ela escreveu cartas em nome de Acabe, colocou nelas o selo do rei e enviou aos líderes da cidade onde Nabote morava. Nas cartas, ordenou que colocassem Nabote em lugar de destaque diante do povo e chamassem homens maus para acusá-lo falsamente.
A acusação era mentirosa.
Nabote seria tratado como culpado por algo que não havia feito.
Os líderes da cidade obedeceram às cartas de Jezabel. Fizeram como ela havia mandado, levantaram falsas acusações contra Nabote, e ele foi morto injustamente.
Depois disso, Jezabel foi até Acabe e disse que ele poderia tomar posse da vinha, porque Nabote já não estava vivo.
Acabe então se levantou e foi tomar a vinha.
Aquela terra, que Nabote havia guardado como herança de sua família, foi tomada por meio de mentira, abuso de poder e injustiça.
Mas Deus viu tudo.
O Senhor viu a cobiça de Acabe.
Viu a maldade de Jezabel.
Viu a mentira dos homens que acusaram Nabote.
E viu a injustiça cometida contra um homem que havia apenas protegido a herança de seus pais.
Elias anuncia juízo contra Acabe
Quando Acabe foi tomar posse da vinha de Nabote, a palavra do Senhor veio a Elias.
Deus mandou o profeta ir ao encontro do rei. Acabe pensava que poderia receber aquela vinha como se nada tivesse acontecido. Mas o Senhor havia visto toda a injustiça.
Elias encontrou Acabe na vinha de Nabote.
Então anunciou a palavra do Senhor. Acabe havia desejado o que não lhe pertencia, permitido uma grande maldade e tomado posse de uma terra conseguida por meio de mentira e morte.
A mensagem de Elias foi dura.
Deus anunciava juízo contra Acabe e contra sua casa. A injustiça cometida contra Nabote não ficaria esquecida. O Senhor também falou contra Jezabel, que havia armado aquele plano mau.
Acabe ouviu a palavra do Senhor e ficou profundamente abalado.
Ele rasgou suas roupas, vestiu pano de saco, jejuou e andou abatido. Pela primeira vez nessa história, vemos Acabe se humilhando diante da palavra de Deus.
Então o Senhor falou novamente com Elias.
Deus viu que Acabe havia se humilhado. Por isso, o juízo contra sua casa não viria em seus dias, mas nos dias de seu filho.
Mesmo depois de tanta desobediência, o Senhor mostrou paciência.
Deus não ignorou a injustiça.
Mas também viu a humilhação de Acabe naquele momento.
Micaías fala a verdade ao rei
Depois de algum tempo, Acabe recebeu a visita de Josafá, rei de Judá.
Acabe queria retomar Ramote-Gileade, uma cidade que estava sob o domínio da Síria. Então perguntou a Josafá se ele iria com ele à guerra.
Josafá respondeu que estava disposto a ajudar, mas antes pediu que Acabe consultasse a palavra do Senhor.
Acabe então reuniu muitos profetas.
Eles disseram que o rei deveria subir à guerra, porque teria vitória. Todos pareciam falar aquilo que Acabe queria ouvir.
Mas Josafá percebeu que faltava algo.
Ele perguntou se não havia ali algum profeta do Senhor para ser consultado.
Acabe respondeu que ainda havia um homem chamado Micaías, filho de Inlá. Mas Acabe não gostava dele, porque Micaías não costumava profetizar coisas boas a seu respeito.
Mesmo assim, Josafá pediu que o rei o chamasse.
O mensageiro que foi buscar Micaías tentou prepará-lo. Disse que todos os outros profetas estavam falando coisas favoráveis ao rei, e que Micaías deveria falar como eles.
Mas Micaías respondeu que falaria apenas aquilo que o Senhor lhe dissesse.
Quando chegou diante dos reis, Micaías anunciou a verdade. Ele mostrou que Acabe não deveria subir àquela guerra como se tudo estivesse bem. A palavra do Senhor não era igual à mensagem dos profetas que agradavam o rei.
Acabe não gostou.
Micaías foi tratado com desprezo e mandado para a prisão, recebendo pouca comida e pouca água até que o rei voltasse em paz.
Mas Micaías respondeu que, se Acabe voltasse em paz, então o Senhor não teria falado por meio dele.
O rei queria ouvir palavras agradáveis.
Mas Micaías permaneceu fiel à verdade que Deus lhe deu.
Acabe vai à guerra e morre
Mesmo depois de ouvir a palavra de Micaías, Acabe decidiu ir à guerra.
Ele não quis aceitar a advertência do Senhor. Em vez disso, tentou se proteger do seu próprio jeito. Acabe disse a Josafá que entraria na batalha disfarçado, enquanto Josafá usaria suas roupas reais.
Assim, Acabe pensava que poderia escapar do perigo.
Mas ninguém consegue fugir da palavra do Senhor.
A batalha começou em Ramote-Gileade. Os soldados da Síria procuravam pelo rei de Israel. Quando viram Josafá vestido como rei, pensaram que ele era Acabe e foram atrás dele. Josafá clamou, e eles perceberam que não era o rei de Israel.
Acabe estava disfarçado no meio da batalha.
Então um homem puxou o arco sem mirar em alguém específico, e a flecha atingiu Acabe entre as peças da armadura. O rei ficou ferido e pediu que o tirassem da batalha.
Mas a luta continuou naquele dia.
Acabe permaneceu em seu carro, ferido, até a tarde. Quando o sol se pôs, ele morreu.
A notícia se espalhou pelo exército, e cada um voltou para sua cidade e para sua terra.
Acabe foi levado para Samaria e sepultado. A palavra do Senhor, anunciada por meio de Micaías, se cumpriu.
Aplicação para a criança
A história de Acabe nos ensina que não devemos desprezar a palavra de Deus.
Acabe viu o Senhor agir muitas vezes. Deus livrou Israel, enviou profetas, deu advertências e mostrou a verdade. Mesmo assim, Acabe continuou escolhendo seu próprio caminho.
Também aprendemos que Deus vê a injustiça.
Nabote foi tratado com mentira e maldade, mas o Senhor não ignorou o que aconteceu. Deus viu tudo e enviou Elias para confrontar Acabe.
Quando alguém nos corrige com a verdade, não devemos endurecer o coração. É melhor ouvir, se arrepender e voltar para o caminho certo.
Deus é paciente e misericordioso, mas sua Palavra deve ser levada a sério. Obedecer ao Senhor é sempre melhor do que tentar fugir das consequências.
Perguntas para conversar em família
Por que Deus livrou Israel das mãos da Síria, mesmo Acabe sendo um rei desobediente?
O que a história de Nabote nos ensina sobre cobiça e injustiça?
Como Deus mostrou que viu a maldade cometida contra Nabote?
Por que Acabe não gostava de ouvir a palavra do profeta Micaías?
O que podemos fazer quando a Palavra de Deus nos corrige?
Em breve: 2 Reis para crianças
1 Reis para crianças: Elias foge, e Deus cuida dele com mansidão (19)
