Introdução para pais e responsáveis
A série “A Bíblia passo a passo para crianças” foi criada para ajudar famílias a caminharem juntas pela história da Bíblia, acompanhando cada livro em ordem, com fidelidade às Escrituras e linguagem acessível. Nesta série apresentamos também êxodo para crianças, explicando a narrativa bíblica com cuidado, profundidade e responsabilidade espiritual.
Na parte anterior, vimos como Deus abriu o mar para que o povo de Israel atravessasse em segurança, libertando-os definitivamente do exército do Egito. Depois desse grande milagre, o povo começou sua jornada pelo deserto rumo à terra que Deus havia prometido.
Nesta parte da história, baseada em Êxodo 15–17, acompanhamos alguns dos primeiros desafios dessa caminhada. O povo enfrenta falta de água, fome e até o ataque de inimigos.
Em cada uma dessas situações, Deus demonstra que continua cuidando e sustentando Seu povo. Assim, a criança pode perceber que Deus não apenas liberta, mas também continua guiando e provendo aquilo que Seu povo precisa durante a jornada.

A água amarga se torna doce
Depois de atravessar o mar e celebrar a vitória que Deus havia dado, o povo de Israel continuou sua jornada pelo deserto. Moisés conduzia o povo enquanto seguiam pelo caminho que Deus mostrava.
Durante alguns dias eles caminharam sem encontrar água. O deserto era um lugar difícil, e a necessidade de água se tornava cada vez mais urgente. Finalmente chegaram a um lugar chamado Mara, onde havia água.
Mas logo descobriram um problema. A água daquele lugar era amarga e não podia ser bebida. O nome “Mara”, inclusive, está relacionado à ideia de amargura.
Diante dessa situação, o povo começou a reclamar. Muitos se voltaram contra Moisés e perguntaram o que iriam beber. A alegria da libertação parecia ter sido rapidamente substituída pela preocupação e pelo desânimo.
Moisés então clamou a Deus pedindo ajuda. O Senhor respondeu mostrando a ele um pedaço de madeira. Moisés colocou a madeira na água, e algo surpreendente aconteceu: a água se tornou própria para beber.
Assim, Deus mostrou que estava cuidando do povo mesmo no deserto.
Nesse momento, Deus também ensinou algo importante ao povo de Israel. O Senhor explicou que, se o povo ouvisse Suas instruções e seguisse Seus caminhos, Ele continuaria cuidando deles e protegendo-os.
Logo depois, o povo seguiu viagem até um lugar chamado Elim, onde encontraram várias fontes de água e muitas palmeiras. Ali puderam descansar um pouco antes de continuar a jornada pelo deserto.
Deus envia o maná do céu
Depois de algum tempo, o povo de Israel continuou sua caminhada pelo deserto. A jornada era longa, e logo surgiu outro problema. A comida que haviam levado do Egito estava acabando, e o povo começou a sentir fome.
Diante dessa dificuldade, muitos começaram a reclamar novamente. Alguns disseram que teria sido melhor permanecer no Egito, onde pelo menos tinham alimento, mesmo vivendo como escravos. Eles chegaram a dizer que Moisés e Arão os haviam levado ao deserto para morrer de fome.
Moisés e Arão ouviram essas reclamações, mas explicaram que o povo não estava reclamando apenas contra eles, e sim contra o próprio Deus. O Senhor havia sido quem conduziu o povo para fora do Egito.
Mesmo assim, Deus respondeu com paciência.
O Senhor disse a Moisés que faria algo especial para cuidar do povo. Ele enviaria pão do céu para que todos tivessem alimento no deserto. Dessa forma, o povo aprenderia a confiar que Deus continuaria suprindo suas necessidades.
Naquela mesma tarde, bandos de codornizes apareceram ao redor do acampamento, e o povo pôde recolher aquelas aves como alimento.
Na manhã seguinte, algo ainda mais surpreendente aconteceu. Quando o orvalho que cobria o chão desapareceu, ficou sobre a terra uma camada fina, parecida com pequenas sementes.
O povo olhou para aquilo e perguntou: “Maná?”, que significa algo como “O que é isto?”. Moisés então explicou que aquele era o pão que Deus havia dado para alimentar o povo no deserto.
A provisão diária de Deus
Depois que o maná apareceu pela primeira vez, Deus explicou ao povo como deveriam recolher aquele alimento. Cada pessoa deveria juntar apenas a quantidade necessária para o dia. Assim, cada família teria o suficiente para se alimentar.
Algumas pessoas tentaram guardar maná para o dia seguinte, mas isso não funcionou como esperavam. O alimento estragava e não podia mais ser usado. Dessa forma, o povo aprendia que precisava confiar que Deus continuaria enviando alimento no dia seguinte.
Havia também uma instrução especial para o sexto dia da semana. Nesse dia, o povo deveria recolher o dobro da quantidade de maná. Isso acontecia porque o dia seguinte seria um dia de descanso.
No sétimo dia, chamado de sábado, o povo não deveria sair para recolher maná. Deus havia separado aquele dia para descanso. Por isso, a porção recolhida no dia anterior não estragava e servia para aquele momento.
Assim, o maná não era apenas alimento. Ele também ensinava o povo a confiar diariamente em Deus e a respeitar o tempo de descanso que o Senhor havia estabelecido.
Durante muitos anos, enquanto o povo caminhou pelo deserto, Deus continuou enviando o maná. Todos os dias o povo recebia o alimento necessário para viver.
Dessa forma, o Senhor mostrava que não apenas havia libertado Israel do Egito, mas também continuava sustentando o povo em cada etapa da jornada.
Água da rocha
Depois de algum tempo caminhando pelo deserto, o povo de Israel enfrentou novamente um problema. Em um lugar chamado Refidim, não havia água para beber. Assim como havia acontecido antes, a falta de água trouxe preocupação para todos.
Logo o povo começou a reclamar com Moisés. Alguns chegaram a dizer que teria sido melhor continuar no Egito do que enfrentar aquela situação no deserto. O medo e o cansaço faziam com que esquecessem de tudo o que Deus já havia feito por eles.
Diante das reclamações, Moisés clamou a Deus pedindo ajuda. Ele também temia que a situação se tornasse ainda mais difícil se o povo continuasse irritado.
Então Deus deu uma instrução clara.
O Senhor disse que Moisés deveria pegar o cajado com o qual havia tocado as águas do Nilo e ir até uma rocha no monte Horebe. Alguns líderes do povo deveriam acompanhá-lo para testemunhar o que aconteceria.
Moisés fez exatamente como Deus havia ordenado. Ele bateu na rocha com o cajado, e algo extraordinário aconteceu: água começou a sair da rocha.
Assim, o povo teve água para beber no deserto.
Aquele lugar recebeu o nome de Massá e Meribá, nomes que lembravam a atitude do povo naquele momento. Eles reclamaram e colocaram em dúvida se Deus realmente estava com eles.
Mesmo assim, Deus continuou cuidando do povo e suprindo aquilo de que precisavam.
A batalha contra Amaleque
Enquanto o povo de Israel continuava sua jornada pelo deserto, surgiu um novo desafio. Um povo chamado amalequitas atacou os israelitas em Refidim. Esse foi o primeiro grande confronto que o povo de Israel enfrentou depois de sair do Egito.
Moisés então pediu a Josué que escolhesse alguns homens para lutar contra os amalequitas. Enquanto isso, Moisés subiria ao alto de um monte levando consigo o cajado de Deus.
No dia seguinte, Josué e os homens escolhidos foram para a batalha. Moisés ficou no alto do monte acompanhado por Arão e Hur.
Algo interessante começou a acontecer durante a luta. Quando Moisés levantava as mãos segurando o cajado, o povo de Israel avançava na batalha. Mas quando suas mãos se cansavam e baixavam, os amalequitas começavam a ganhar vantagem.
Com o passar do tempo, os braços de Moisés ficaram pesados. Então Arão e Hur colocaram uma pedra para que ele pudesse se sentar. Depois ficaram ao lado dele, segurando suas mãos levantadas, um de cada lado.
Assim, as mãos de Moisés permaneceram erguidas até o pôr do sol.
Enquanto isso, Josué e os israelitas conseguiram vencer a batalha contra os amalequitas.
Depois da vitória, Deus disse que aquele acontecimento deveria ser lembrado. Moisés também construiu um altar e declarou que o Senhor era a bandeira de Israel, reconhecendo que a vitória havia vindo de Deus.
Assim, o povo aprendeu que, mesmo nas batalhas, dependia do cuidado e da ajuda do Senhor.
Aplicação para a criança
A jornada do povo de Israel no deserto nos ensina que Deus continua cuidando de Seu povo todos os dias. Depois de libertar os israelitas do Egito, o Senhor não os abandonou. Ele continuou guiando, protegendo e suprindo aquilo de que precisavam.
Quando faltou água, Deus providenciou água. Quando o povo teve fome, Deus enviou o maná. Mesmo quando enfrentaram inimigos, o Senhor os ajudou a vencer.
Essa parte da história também mostra que o povo ainda estava aprendendo a confiar em Deus. Em alguns momentos, eles reclamaram e ficaram com medo. Mesmo assim, Deus continuou demonstrando paciência e cuidado.
Em nossa vida também podemos enfrentar momentos de preocupação ou dificuldade. Às vezes podemos não entender como as coisas vão se resolver. Nesses momentos, podemos lembrar que Deus continua cuidando de nós.
Assim como Deus sustentou o povo de Israel no deserto, Ele continua sendo fiel e presente na vida daqueles que confiam nele.
Perguntas para conversar em família
Quais dificuldades o povo enfrentou no deserto?
Como Deus cuidou do povo quando faltou comida?
O que o maná ensinava ao povo sobre confiar em Deus?
O que aconteceu quando o povo precisou de água novamente?
O que aprendemos sobre confiar em Deus mesmo em tempos difíceis?
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